Leis que não saem do papel não salvam vidas: o que a Câmara de Hortolândia ainda precisa fazer contra a violência contra a mulher

Nos últimos dias, mais uma notícia chocou a população de Hortolândia: uma mulher foi assassinada no município, em um caso que se soma a tantas outras ocorrências de violência contra mulheres que vêm sendo noticiadas com frequência na região.

Cada caso não é apenas uma estatística. É uma vida interrompida. Uma família devastada. Uma sociedade que falhou em proteger quem mais precisa.

Diante desse cenário, surge uma pergunta inevitável: o que o poder público municipal está fazendo, de forma concreta e permanente, para enfrentar essa realidade?

A Câmara Municipal de Hortolândia deu passos importantes em 2025 ao aprovar duas leis voltadas à prevenção da violência contra a mulher.

A Lei nº 4.468/2025, de autoria da vereadora Roberta Morais Diniz, instituiu a Semana de Combate à Violência contra a Mulher, com ações a serem realizadas nas escolas da rede municipal. A proposta prevê atividades educativas, reflexões com estudantes, capacitação de educadores e orientação sobre os mecanismos de proteção previstos na Lei Maria da Penha.

Entre os objetivos da legislação estão:

  • conscientizar estudantes e comunidade escolar sobre violência nas relações afetivas;

  • divulgar os instrumentos de proteção às vítimas;

  • promover igualdade entre homens e mulheres;

  • estimular a produção de materiais educativos sobre o tema.

No mesmo ano, foi aprovada também a Lei nº 4.487/2025, de autoria do vereador Derli de Jesus Athanazio Bueno, que instituiu no calendário oficial do município a Semana de Combate ao Feminicídio e Enfrentamento à Violência de Gênero, a ser realizada anualmente na semana de 15 de maio.

São iniciativas relevantes.

Mas diante da gravidade dos fatos que continuam acontecendo, a sociedade precisa saber: essas leis estão sendo efetivamente implementadas?

Porque, no enfrentamento à violência contra a mulher, não basta aprovar leis. É preciso fazer com que elas aconteçam.

A escola como espaço de prevenção

A própria legislação municipal aponta um caminho importante: a educação.

As escolas são espaços privilegiados para discutir respeito, igualdade de gênero, relações saudáveis e mecanismos de proteção às vítimas.

E é exatamente nesse ponto que o Poder Legislativo pode avançar.

Uma possibilidade concreta seria a implantação de um programa permanente de educação cidadã sobre prevenção à violência contra a mulher, articulado entre:

  • Câmara Municipal

  • Escola do Legislativo

  • Secretaria Municipal de Educação

  • rede de proteção à mulher

A Escola do Legislativo pode assumir papel estratégico nesse processo, promovendo:

  • formação de professores sobre o tema;

  • rodas de conversa com estudantes;

  • campanhas educativas nas escolas;

  • produção de cartilhas e materiais pedagógicos;

  • seminários com a comunidade.

Não se trata apenas de reagir a tragédias.

Trata-se de prevenir novas violências antes que elas aconteçam.

O papel do Legislativo

O combate à violência contra a mulher exige políticas públicas permanentes.

E o Legislativo municipal tem três funções fundamentais nesse processo:

  1. Legislar — criando leis que protejam e previnam a violência.

  2. Fiscalizar — garantindo que essas leis sejam efetivamente aplicadas.

  3. Educar para a cidadania — promovendo ações que transformem a cultura social.

Hortolândia já deu um passo ao aprovar as leis.

Agora é hora de dar o passo mais importante: fazer com que elas saiam do papel e cheguem à sociedade.

Porque cada ação de conscientização pode evitar uma agressão.

Cada debate pode salvar uma vida.

E cada vida preservada é a verdadeira razão de existir da política pública.

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